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História da Cidade

A história de Jaú começa no momento em que os bandeirantes que navegavam pelo rio Tietê decidiram parar para pescar na foz de um ribeirão. Lá fisgaram um grande peixe chamado "Jahu". O local, desde então, ficou conhecido como "Barra do Ribeirão do Jahu". Um pouco mais tarde, no segundo semestre de 1.851, os moradores da região já eram em número razoável, o que comportaria a criação de um "Patrimônio" ("Curato"), onde se construiria uma igreja, um cemitério e alguns lotes urbanos para residência e comércio. A idéia da criação do patrimônio foi bem aceita por todos. Não houve discussão pois a região já era conhecida como "Jahu" em virtude do rio (na desembocadura com o rio Tietê era muito encontrado o "Peixe Jahu", razão pela qual o rio foi chamado por este nome). Criou-se, então, uma comissão para tratar deste assunto.

Este é o "Peixe Jahu" que era muito encontrado antigamente nas águas do rio que banham a cidade

A comissão era composta pelos seguintes cidadãos: "Tenente Manoel Joaquim Lopes, Francisco Gomes Botão, Bento Manoel de Moraes Navarro, Lúcio de Arruda Leme e o Capitão José Ribeiro de Camargo (os fundadores da cidade)". As reuniões se realizavam na casa de Lúcio de Arruda Leme onde eram tratados os seguintes assuntos: 

01 - Localização do Patrimônio.

02 - Denominação do Patrimônio. 

03 - Doação da área escolhida ao Bispado.

04 - Escolha da Padroeira ou Padroeiro.

05 - Derrubada da mata e arruamento.

A comissão visitou "in loco" diversos terrenos que lhe foram oferecidos para localização do patrimônio. Depois de vários estudos, ficou decidido que seria erguido um povoado na área de 40 alqueires, doados em partes iguais, por "Francisco Gomes Botão" e "Tenente Manoel Joaquim Lopes". Estas terras eram aquelas compreendidas entre a margem esquerda do "Rio Jahu" e a do "Córrego da Figueira". O critério usado pela comissão foi que o terreno escolhido fosse perto de uma nascente d'água para o futuro abastecimento do patrimônio (no caso, o "Córrego da Figueira") e que fosse o mais central possível. A posse do terreno estava com a igreja, mas não havia o direito de uso das terras por não ter sido lavrada a escritura.

Já com a área localizada, a comissão convocou um mutirão e procedeu à derrubada da mata e queima da mesma, abrindo primeiramente duas clareiras na mata. A primeira foi destinada à construção da igreja, ou seja, o "Largo da Matriz". A segunda foi destinada ao cemitério (terreno onde se encontra hoje o "Grupo Escolar Major Prado"). Após a queimada do terreno do cemitério, cercou-se o local e o "Padre Francisco de Paulo Camargo" sagrou o mesmo. O arruamento do patrimônio, ou seja, a demarcação da área, o alinhamento das ruas e a demarcação dos lotes foram feitos mais tarde pelo "Capitão José Ribeiro de Camargo" com o auxílio do "Padre Joaquim Feliciano de Amorim Cigar" (primeiro pároco da cidade que tomou posse em 03 de julho de 1.857).

Sobre a escolha da padroeira, a comissão atendeu ao apelo de "Bento Manoel de Moraes Navarro" no sentido de ser a padroeira do patrimônio "Nossa Senhora do Patrocínio". Em vista dos argumentos apresentados por Bento Manoel, ficou aceita sua indicação para escolha da padroeira. Bento Manoel ainda se comprometeu a mandar esculpir uma imagem da santa em Itú e quando pronta, trazer a mesma a Jaú, tudo por sua conta. Concluída a igreja, Bento Manoel viajou a Itú a fim de trazer a imagem da padroeira conforme compromisso assumido. Com a chegada da padroeira, a comissão dirigiu-se a Brotas e acertou com o vigário "Francisco de Paula Camargo" a sua vinda a Jaú para o dia 15 de agosto de 1.853 para proceder a bênção da igreja, das imagens e a realização da primeira missa. 

Nesse dia, Jaú amanheceu em festa porque seria inaugurada a igreja às oito horas da manhã e os moradores da região, com seus familiares, já se encontravam no "Largo da Matriz". O padre Francisco de Paula Camargo procedeu à bênção das imagens e em seguida deu início à procissão. O andor da padroeira "Nossa Senhora do Patrocínio" era carregado pelos cidadãos: "Bento Manoel de Moraes Navarro, Tenente Manoel Joaquim Lopes, Francisco Gomes Botão e o Capitão José Ribeiro de Camargo" (os padrinhos da santa) e os demais santos eram carregados pelos moradores de maior projeção no local. Terminada a procissão, o padre entrou na igreja e procedeu a bênção do prédio e dos altares. 

Em 15 de agosto de 1.853 foi fundada a cidade de Jaú. Naquela época, os moradores da cidade eram, em sua maioria, agricultores que cultivavam milho, mandioca, algodão, cana-de-açúcar e criavam bovinos, suínos e ovelhas. O milho e a mandioca eram destinados à alimentação humana, à dos animais de criação e à tropa de serviço (cargueiros). O algodão era destinado à confecção de roupas dos familiares e escravos. Com a lã das ovelhas eram confeccionados os agasalhos. A cana-de-açúcar era destinada à fabricação de açúcar pois havia diversos engenhos tais como o de Bento Manoel de Moraes Navarro, Mariano Lopes Pinheiro, Luiz Pereira Barbosa e o do Capitão José Ribeiro de Camargo. Estes engenhos eram destinados ao consumo local e venda da sobra para outras regiões. Estavam se iniciando os primeiros plantios de café na região que mais tarde viriam a ser a cultura predominante.

O crescimento da cidade foi alavancado na produção e exportação de café. Junto com a expansão da lavoura cafeeira teve início o período da grande imigração. Imigrantes espanhóis, italianos e portugueses passam a substituir o trabalho escravo nas plantações de café e se tornaram muito importantes no desenvolvimento do município. A riqueza do café trouxe junto o progresso para a cidade. Em 06 de fevereiro de 1.889, Jaú foi elevada à categoria de cidade. De 1.870 a 1.915 a cidade se tornou um dos maiores centros produtores de café do Brasil. Por essa época surgiram muitos casarões e casas comerciais, todos construídos dentro dos padrões e estilos europeu, gótico e romântico. O ciclo do café só terminou em 1.960.

Com o declínio do café e o fim de seu ciclo de ouro, a cana-de-açúcar ganha ainda mais força numa época em que o comércio também se encontrava em franca expansão. A "Primeira Guerra Mundial", iniciada em 1.914, devastou a indústria de açúcar européia. Esse fato provocou um aumento do preço do produto no mercado mundial e incentivou a construção de novas usinas no Brasil principalmente no Estado de São Paulo, onde muitos fazendeiros de café desejavam diversificar seu perfil de produção. Imigrantes italianos também estavam adquirindo terras e grande parte optou pela produção de aguardente a partir da cana-de-açúcar. A partir daí, impulsionados pelo crescimento da economia paulista, os engenhos de aguardente foram rapidamente se transformando em usinas de açúcar dando origem aos grupos produtores mais tradicionais do Estado na atualidade.

Em meados dos anos 40, a indústria calçadista também dava seus primeiros passos no município. Os pioneiros das indústrias do setor enfrentaram inúmeras dificuldades que iam desde a falta de mão-de-obra qualificada à utilização de maquinários rudimentares. Por essa época e no início dos anos 50 já estavam estabelecidas aqui algumas indústrias de calçados. O setor calçadista não parou de se expandir e se tornou, ao lado da cana-de-açúcar, uma das mais fortes economias de Jaú. Por apresentar preços baixos, facilidades produtivas e comerciais em relação ao calçado masculino, a produção do calçado feminino compõe grande parte das exportações nacionais. Os grandes pólos produtores de calçados femininos encontram-se no Rio Grande do Sul, Belo Horizonte e Jaú, que ficou conhecida como a "Capital Nacional do Calçado Feminino".

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