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História

Foi o primeiro aviador das três Américas a fazer a travessia aérea da Europa para a América do Sul. Partiu de "Gênova/Itália” em direção a “Santo Amaro/São Paulo/Brasil”, no dia 28 de abril de 1.927, cruzando o "Oceano Atlântico" com o “Hidroavião Jahu" marca “Savóia Marchetti S-55”.

João Ribeiro de Barros foi piloto da aviação civil e nasceu no dia 04 de abril de 1.900 no município de Jaú. Neto do capitão "José Ribeiro de Camargo Barros" (um dos fundadores da cidade). Filho de "Sebastião Ribeiro de Barros" e de "D. Margarida de Oliveira Barros". Realizou seus estudos primários no "Atheneu Jahuense". Seus estudos secundários foram realizados no "Instituto de Ciências e Letras" em São Paulo, tendo posteriormente ingressado na "Universidade de São Paulo" para cursar a seção de estudos jurídicos e sociais. Entretanto, em 1.919, chamado pela força do destino, resolve aprofundar-se no conhecimento da engenharia mecânica. Abandona, então, o curso de direito no segundo ano e parte para os Estados Unidos, sozinho, onde permanece, numa universidade, o tempo necessário para a aquisição de conhecimentos mais avançados sobre a técnica aeronáutica (tinha como orientador o aviador transoceânico "Gago Coutinho" que foi o pioneiro da travessia do Oceano Atlântico com escalas). Regressa ao Brasil dois anos depois. No dia 21 de fevereiro de 1.923, após longo treinamento, conquistou o "brevet" internacional número 88 da "Ligue Internationale des Aviateurs" da França. Durante os três anos seguintes realiza vários vôos pelo interior do país quando então a febre do heroísmo ardia dentro dele. Nesse mesmo período volta aos Estados Unidos e realiza um curso de pilotagem e navegação aérea. Depois segue para a Alemanha onde freqüenta uma escola de acrobacia aérea em Berlim, ocasião em que se aperfeiçoou no idioma. Possuía uma grande facilidade para línguas dominando muito bem inglês, alemão, espanhol e italiano.

Em 1.926, tomado de impulso incontrolável, planeja uma façanha inconcebível para a época: Transpor o Oceano Atlântico com os recursos de uma única e rudimentar aeronave. João Ribeiro de Barros pede então auxílio ao governo brasileiro para empreender esse vôo. O governo nega-se a ajudá-lo por entender tratar-se de uma idéia absurda. O piloto brasileiro não se deixa abater. Volta à Jaú, vende sua herança paterna aos irmãos e segue para São Paulo onde entra em contato com o "Sr. Luchini", representante da fábrica italiana "Savóia Marchetti", propondo-lhe a compra de um hidroavião. A esse tempo o conde "Casagrande", sob a direção do governo real italiano, com um avião "Savóia Marchetti S-55", batizado com o nome de "Alcyone", tenta realizar um vôo da Itália ao Brasil e acaba desistindo do empreendimento em Casablanca cumprindo apenas um quinto do percurso total. O aparelho foi considerado imprestável para realizar a façanha. Não se interessando pela venda de um aparelho novo ao piloto brasileiro, a fábrica lhe propõe a venda do mesmo "Alcyone" e, sem outra opção, João Ribeiro acaba por adquiri-lo pela importância de 680.000 liras (200 contos na época). O piloto brasileiro restaura o avião na Europa com a ajuda do mecânico "Vasco Cinqüini" e introduz uma série de modificações a fim de adaptá-lo às necessidades do vôo. Em 1.927 o disputado vôo seria concretizado com o hidroavião batizado com o nome de "Jahu" em homenagem à terra natal do comandante João Ribeiro de Barros.

Com 26 anos de idade, idealiza, organiza, financia, comanda e executa o vitorioso vôo tendo como tripulantes o navegador "Newton Braga", o co-piloto "Arthur Cunha" (substituído por "João Negrão") e "Vasco Cinqüini", o mecânico. O vôo histórico (que não recebeu quaisquer tipos de ajuda, quer oficial ou de iniciativa particular ou empresarial), foi marcado por acontecimentos que o transformaram numa verdadeira epopéia, com episódios de perseguição, heroísmo, traição, sabotagem, doença, resignação, renúncia e coragem, competindo cultural, científica e economicamente com as maiores potências européias e americanas da época.

No dia 18 de outubro de 1.926, o hidroavião "Jahu" decola de "Gênova" sob grande aclamação popular mas seus tripulantes ignoravam a existência de sabão caseiro, terra e água nos reservatórios de combustível e um pedaço de bronze (hoje esse pedaço se encontra no "Museu da Aeronáutica"), colocado no fundo do cárter do motor traseiro. Esse pedaço de bronze provavelmente foi colocado ali na véspera da partida, quando os brasileiros pernoitavam no hotel com o propósito evidente de impedir a realização do vôo. João Ribeiro de Barros faz um pouso forçado em "Alicante" onde as autoridades espanholas, alegando desconhecer os propósitos do pouso, prendem sumariamente os tripulantes. Libertados os aviadores, após a interferência da "Embaixada Brasileira em Madri", o avião sofre alguns reparos e prossegue em seu penoso e acidentado vôo rumo ao Brasil. Duas horas depois, novo pouso de emergência em "Gibraltar" para substituição do combustível impregnado de sabão. Nova decolagem, novos defeitos nos motores.

O "Jahu", em precárias condições, consegue atingir a "Ilha de São Tiago", localizada em Porto Praia, no arquipélago de Cabo Verde, em plena imensidão oceânica. Na ilha, depois de traído por um companheiro, João Ribeiro se vê obrigado a desmontar os motores do aparelho sem os mínimos recursos. Foi um trabalho penoso para o mecânico e para o comandante. Durante alguns meses trabalhando na recuperação do aparelho, cometido de quatro crises consecutivas de malária, em completo abandono, o jovem piloto brasileiro sofre ainda vexatória campanha desmoralizante alimentada por um jornal carioca. Todos esses fatos tornam-se públicos e o governo brasileiro envia um telegrama ao comandante Ribeiro de Barros, em Porto Praia, ordenando-lhe que interrompesse o vôo, encaixotasse o aparelho e retornasse ao Brasil. Indignado pelo teor do texto, responde prontamente pela mesma via:

“Exmo. Sr. Presidente: Cuide das obrigações de seu cargo e não se meta em assuntos dos quais Vossa Excelência nada entende e para os quais não foi chamado. Ass.: Comandante Barros”.

No momento em que suas forças se esgotavam, já as portas do desespero, o piloto recebe pelo telégrafo de Porto Praia a mensagem reanimadora de sua mãe, Margarina Ribeiro de Barros:

"Aviador Barros. Aplaudimos tua atitude. Não desmontes o aparelho. Providenciaremos continuação do reide custe o que custar. Paralisação do reide será fracasso. Asas avião representam Bandeira Brasileira...Bênçãos de tua mãe, Margarida."

A atitude heróica dessa mãe paulista reergue as forças de Ribeiro de Barros, o qual, compreendendo o estado de alma do povo brasileiro, reanima-se prontamente enviando a mãe distante o seguinte telegrama:

   "A viagem de qualquer maneira será feita. Haveremos de aportar ao Brasil e se isso não se der, estaremos assim mesmo pagos, completamente pagos porque o Jahu terá a mais digna sepultura, o mesmo oceano que haverá de banhar eternamente essa terra, tão grande nas suas riquezas, tão grande na sua história."

Osório Ribeiro”, irmão do aviador, contrata no Brasil um novo co-piloto, “João Negrão”, e segue com ele para Cabo Verde. Ao se deparar com o comandante do "Jahu" magro, pálido e debilitado pela quarta crise consecutiva de malária, pelas grandes adversidades e provações do irmão, Osório não contém as lágrimas. Na manhã histórica de 28 de abril de 1.927, as quatro e meia da madrugada, a população da ilha de São Tiago (Cabo Verde) acorda assustada com o rugido ensurdecedor de 1.100 HPs (550 em cada motor) de potência a plena rotação. O "Jahu" vai rasgando uma a uma as ondas para depois apoiar-se nas asas e finalmente alçar vôo. O hidroavião contorna repetidas vezes a ilha para ganhar altura, enquanto as luzes do povoado se acendem lá embaixo e vão ficando para trás. Vai o Jahu rumo ao "Cruzeiro do Sul". João Ribeiro de Barros ajusta o nariz da aeronave rumo ao Brasil.

Voando a uma velocidade de 190 quilômetros por hora a uma altitude média de 300 metros (recorde absoluto durante os dez anos seguintes), enfrentando tempestades e fortes ventos oceânicos o Jahu prossegue durante doze horas consecutivas a percorrer o espaço que o separa do Brasil. Ao aproximar-se da enseada norte da "Ilha de Fernando de Noronha", parte-se uma hélice e, mesmo danificado, o "pássaro vermelho" faz o pouso triunfal em águas brasileiras. Nos tanques do hidroavião restavam ainda 250 litros de combustível. A recepção aos destemidos aviadores foi simplesmente apoteótica. O povo brasileiro soube premiar seu herói oferecendo-lhe mais de 100 medalhas de ouro e platina, adornadas de pedras preciosas, dezenas de cartões de ouro e troféus, diplomas, tudo em comemoração ao patriótico empreendimento que se tornou um justo motivo de expansão do orgulho nacional. As homenagens e manifestações de júbilo aos tripulantes do Jahu arrastaram-se por meses seguidos conforme documentam as publicações da época.

Mapa do vôo histórico da Itália para o Brasil

Em 1.930, João Ribeiro de Barros adquire, na França, um avião "Breguet" e o batiza com o nome de sua mãe "Margarida" (falecida no ano anterior) com o fim de realizar um vôo do Rio de Janeiro a Paris. Quando se dirige ao "Campo dos Afonsos" para iniciar o vôo, proíbem-lhe o acesso ao aparelho. Seu avião é confiscado por ordem do governo para ser usado contra as forças paulistas na revolução que acabara de eclodir. Dez anos depois do vitorioso vôo, a "LIA - Ligue Internationale des Aviateurs", sediada em Paris, na França, concede ao comandante Barros a mais importante de suas condecorações: O "Troféu Harmon" como prova de reconhecimento. Ao mesmo tempo, nomeia o comandante para o cargo de vice-presidente da "LIA". Nas três Américas, ao que consta, apenas o norte-americano "Charles Lindbergh" conseguiu tal honraria após realizar seu vôo solitário 23 dias depois do vôo do Jahu. Ele cruzou, com seu "Spirit of Saint Louis", o Oceano Atlântico apoiado pelo governo americano e incentivado por um prêmio de 25 mil dólares no dia 21 de maio de 1.927.

Em meados dos anos 40, João Ribeiro de Barros encontrava-se em sua fazenda "Irissanga", localizada na cidade de Jaú, quando foi surpreendido pela presença do delegado "Amazo Neto" acompanhado por oito investigadores. Dão-lhe voz de prisão sob a alegação de estar publicando um jornal clandestino contra a ditadura Vargas. Vasculham sua casa em Jaú e transportam-no, escoltado, para São Paulo onde dão busca em seu apartamento. Nada constando contra ele, dão-lhe de novo a liberdade. João Ribeiro volta para sua fazenda profundamente abalado, remoendo, com resignação e silêncio, as adversidades e as mazelas humanas. Morre nos braços de seu irmão "Osório Ribeiro de Barros" no dia 20 de julho de 1.947, aos 47 anos.

O hidroavião Jahu, bem como dezenas de troféus, diplomas, cartões de ouro e de prata, pedras preciosas incrustadas em artefatos de ourivesaria, documentos, medalhas, condecorações e objetos relativos ao vôo (cedidos pela família Ribeiro de Barros), encontram-se hoje sob a guarda do "Museu da Aeronáutica de São Paulo" administrado pela "Fundação Santos Dumont". Dentre as inúmeras condecorações e distinções legadas pela família Ribeiro de Barros ao Museu da Aeronáutica de São Paulo, merece destaque uma coroa de louros com os dizeres: "Após Rui Barbosa, Ribeiro de Barros foi o segundo brasileiro a cingir uma coroa de louros. Escadarias da Faculdade de Direito de Recife - 1.927".

  Por iniciativa do "Rotary Club de Jaú" e através de subscrição pública, foi construído e inaugurado, em 1.953, durante as condecorações do centenário da cidade, um mausoléu de granito, com a estátua em bronze do aviador, na praça central da cidade ("Praça Siqueira Campos"). Uma importante rodovia que vai do centro do Estado ao limite oeste paulista leva também o nome do "Comandante João Ribeiro de Barros".

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